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Coluna Fala Luis

Por Luis Fernando Julio

15 de setembro de 2021

Por que Kyle Lowry pode ser o reforço mais impactante?

Dentre todas as negociações feitas, o armador vindo do Raptors pode ser a melhor

Esta off-season foi marcada pelas super contratações. Tivemos DeMar DeRozan indo para o Chicago Bulls, assim como Lonzo Ball e Alex Caruso; houve Russell Westbrook juntando-se a LeBron James e Anthony Davis no Los Angeles Lakers, além de negociações gigantescas que ainda podem se concretizar, como Ben Simmons saindo do Philadelphia 76ers. Porém, ao menos na minha opinião, a contratação que pode ser a mais impactante dentre todas, foi a aquisição de Kyle Lowry para o Miami Heat.

O time do Heat é um dos mais equilibrados de toda a NBA, porém suas deficiências eram muito aparentes e com toda a certeza atrapalharam totalmente a temporada da equipe. Um time sem um bom perímetro ofensivo e sem uma boa organização de jogo dificilmente consegue alcançar grandes feitos dentro da competição, e esses foram os problemas do time de Jimmy Butler e companhia.

Mesmo tendo uma excelente defesa, um Butler mais completo, Bam Adebayo evoluindo e Duncan Robinson ainda melhor, o Miami Heat foi varrido na primeira rodada dos playoffs pelo Milwaukee Bucks. Muitos atribuíram essa derrota à falta de versatilidade ofensiva e a um banco que não contribuiu muito. Pensando nisso, a diretoria da franquia resolveu dar um jeito em todos esses problemas.

Kyle Lowry. Foto: Toronto Sun

Para resolver a dificuldade do banco da equipe, Pat Riley abriu o bolso e trouxe Markieff Morris, que fez um ótimo ano pelo Lakers, para gerenciar o problema do perímetro. Acrescentou um dos melhores 3 and D da última temporada, PJ Tucker, que foi fundamental para o título do Bucks.

Porém, faltavam dois problemas para serem resolvidos – a bola de três do perímetro e a armação de jogo. Para isso, a diretoria fez uma jogada de mestre e trouxe um jogador que resolveria essas duas questões e ainda adicionaria algo a mais para o time – o campeão pelo Toronto Raptors, Kyle Lowry.

Ele é um excelente playmaker e um ótimo arremessador de longa distância; mas, além de tudo isso, o armador ainda é um líder nato e uma ótima peça para o grupo – algo mais do que essencial para um time que deseja ser vencedor. Lowry é o tipo de jogador que muda totalmente a equipe onde está. Não da mesma forma que Durant ou Harden mudam, que sempre é por meio de talento individual, mas sim sendo capaz de potencializar e realçar o que o time tem de melhor.

Com ele no time, Butler, Herro e Adebayo conseguirão aparecer muito mais, pois serão munidos constantemente por Kyle, e Duncan Robinson… Bom, talvez nenhum outro jogador do elenco será tão impactado individualmente com a chegada do ex-jogador do Raptors como ele.

Claro que DeRozan, Lonzo e Westbrook vão ser extremamente impactantes no Bulls e Lakers respectivamente, mas nenhum deles será tão benéfico para o coletivo de suas equipes como Lowry será para o Miami, já que além de adicionar coisas novas para o jogo do time, irá conseguir, também, potencializar o que de melhor o elenco do Heat tem.

Como Westbrook pode fazer LeBron ser melhor?

Com a contratação de Russell Westbrook, muitos têm colocado em xeque a química do Lakers – mas será que não pode acontecer o contrário?

Assim que a free agency da NBA iniciou, as expectativas sobre a provável grande contratação do Los Angeles Lakers eram altíssimas, visto que o time já dava fortes indícios de que iria movimentar o mercado da maior liga de basquete. Após muitos nomes sendo especulados no time, como Damian Lillard, Kyle Lowry e DeMar DeRozan, a franquia de Los Angeles anunciou sua super contratação. Nada mais, nada menos do que o armador Russell Westbrook.

Claro que uma contratação deste nível iria gerar diversas discussões, e a maioria dos analistas ficaram com muitas dúvidas em relação ao encaixe de Westbrook com LeBron James e Anthony Davis. É algo mais do que normal duvidar, até porque são três jogadores acostumados a serem os donos da bola em suas equipes. Talvez Davis seja o jogador que menos tem a necessidade de ter a bola durante o jogo, porém James sempre foi o controlador do jogo por onde passou, da mesma forma que Russell.

Foto: Whats New 2Day.

Um fato sobre Westbrook é que ele necessita ter a bola nas mãos para ser efetivo dentro de quadra. Não é à toa que acumula em sua carreira um número assustadoramente alto de triplos-duplos. Mas outro fato é que o armador sempre fez com que seus companheiros de equipe fossem melhores; podemos pegar como exemplo Paul George, que teve sua melhor fase jogando ao lado do camisa 0.

É óbvio que podemos enxergar diversas dificuldades no encaixe de Russell e LeBron, porém também podemos ver muitas coisas positivas – como a possibilidade de termos um LeBron mais inteiro nos playoffs, já que tendo um playmaker de elite como companheiro, o ala não vai precisar forçar tanto o jogo, fazendo com que consiga ser mais preservado durante a temporada.

Falando de encaixe quando estiverem jogando juntos, Westbrook pode fazer com que LeBron seja uma versão parecida com que vimos em Miami – um jogador mais focado em pontuar e não em armar o jogo. Será interessante ver esse LeBron James mais agressivo e pontuador novamente. Além de que só de imaginar as pontes aéreas executadas pelos dois, já deixa minha empolgação lá em cima. E defensivamente nem se fala, pois Russell é um ótimo defensor e pode cobrir muito bem James.

As chances de Westbrook, LeBron e Davis formarem um dos trios mais incríveis da história da NBA é muito grande, porém tudo irá depender do trabalho do treinador Frank Vogel. Não é uma tarefa simples fazer com que três jogadores desse nível funcionem juntos; foram poucos os treinadores que conseguiram essa façanha. Mas acredito que Vogel é competente o suficiente para fazer isso dar certo. E em relação a Westbrook e James… Bom, enxergo um conseguindo fazer o outro melhor, mas o grande beneficiado será sem dúvidas Anthony Davis, que terá dois playmakers de elite passando a bola para ele.

16 de agosto de 2021

Podemos empolgar com o Chicago Bulls?

Time foi o grande destaque da free agency, mas será que é para tanto?

Após o Chicago Bulls ter conseguido trazer Nikola Vucevic na trade deadline da última temporada, houve a esperança de que a franquia poderia voltar a ser um time competitivo,algo que há anos não acontece. Claro que sabíamos que o efeito da chegada do ex-pivô do Orlando Magic não seria imediato, tanto que o Chicago não conseguiu chegar nem ao menos ao play-in no último ano, mas tudo pode mudar nessa próxima temporada.

Ao abrir a free agency dessa temporada,sabíamos que o Bulls seria um dos times que mais iriam se mexer. A chegada de Lonzo Ball, por exemplo, já era algo esperado, pois o time já havia mostrado interesse no jogador há algum tempo, mas claro que não fez com que a contratação fosse menos impactante. Lonzo vem de sua melhor temporada na carreira; tornou-se, no New Orleans Pelicans, um armador muito mais completo, sendo um defensor de elite de perímetro, além de ter melhorado muito seu arremesso de longa distância, fazendo com que ele tenha sido uma excelente contratação da diretoria de Chicago. Mas o melhor ainda estava por vir…

Após a chegada de Ball, não era esperada nenhuma outra grande contratação, porém o Chicago nos surpreendeu. Após a surpreendente chegada de Alex Caruso no time (ótima contratação, aliás) , a equipe anunciou sua contratação de maior peso para a próxima temporada. DeMar DeRozan chegou na cidade dos ventos. O ala, que teve uma das suas melhores temporadas no San Antonio Spurs, onde merecia, na minha opinião, ter sido All-Star, foi anunciado como o grande nome para liderar esse novo Chicago Bulls em 2022. Isso chocou muitos, pois era esperado que o ex-Toronto Raptors assinasse com o Los Angeles Lakers.

Com a chegada de DeRozan, com toda a certeza a percepção das pessoas em relação a real possibilidade do time ser candidato a favorito no Leste mudou totalmente. Hoje é impossível dizer que o Bulls não é um contender na conferência, e eu te digo uma coisa… Não é nenhum absurdo dizer que o Chicago Bulls será o grande adversário do Brooklyn Nets nesse ano.

O encaixe de Lonzo Ball nesse time é algo que será de imediato; o armador é o tipo de jogador que consegue fazer qualquer ataque render, já que é um playmaker de grande calibre, talvez um dos melhores nessa função da NBA. E tendo dois cestinhas do nível de Zach LaVine e DeMar DeRozan, Ball terá diversas opções ofensivas para explorar durante toda a temporada, além de ainda ter uma excelente válvula de escape no garrafão que é Vucevic.

DeMar DeRozan agora se junta a Zach LaVine no Chicago Bulls. Foto: Sports Illustrated.

Falando sobre a defesa do time: a equipe tem no time titular dois jogadores que podem formar uma das melhores duplas defensivas da liga – Lonzo Ball e Patrick Williams. O primeiro já é provado como defensor de elite, e o segundo é comparado defensivamente somente com Kawhi Leonard, ou seja – o potencial dele é gigantesco.

O Chicago Bulls pode ter uma variação de jogadas enorme tendo DeRozan e LaVine juntos, pois o ala é um dos melhores infiltradores e criadores de arremesso que a liga tem, além de ter se tornado um ótimo playmaker jogando em San Antonio. Já o armador é um dos jogadores mais atléticos de toda a NBA e se tornou um dos pontuadores mais versáteis da liga. Resumindo: o ataque do Bulls pode ser um dos mais agressivos e versáteis da temporada.Claro que o time tem defeitos; rebotes e defesa de garrafão prometem ser os principais problemas da equipe, mas tendo um Billy Donovan no comando técnico, esse time pode sim encaixar de uma forma maravilhosa.

A minha empolgação com esse novo Chicago Bulls é evidente – não fiz questão nenhuma de esconder nesse texto, e não pensem que sou torcedor do time, não. Sou simplesmente um fã de basquete que está vendo uma equipe com potencial gigantesco ser formada. Acredito que o Chicago será um claro favorito ao título da conferência Leste, mas não diria ao título da NBA, porque vejo alguns times com uma profundidade maior no elenco e que saem na frente do Bulls. Porém, podemos acabar vendo um time com um basquete extremamente encantador e eficiente nessa temporada. Então, está mais do que liberado que os torcedores se empolguem, pois eu já estou encomendando minha camisa do DeMar DeRozan! 

Por que Kawhi Leonard não deve sair do Clippers? 

Ala pode optar por deixar a franquia de Los Angeles; mas será que deveria?

Estamos na off-season da NBA, e novamente o ala Kawhi Leonard se torna o grande protagonista desta época da NBA; lembrando que, em 2019, ao decidir deixar o Toronto Raptors e chegar ao Clippers, Kawhi foi o nome mais falado durante todo o período de negociação – e em 2021 não está sendo diferente. Leonard pode ativar sua player option e ingressar no mercado de free agents, e nós sabemos muito bem o impacto que isso terá caso ocorra.

Kawhi: permanência no Clippers questionada. Foto: Fadeaway.

É mais do que óbvio que caso Kawhi decida ir a mercado, propostas interessantes não faltarão. Até porque, um jogador que já foi MVP de duas finais, melhor defensor da temporada e com o poder de decisão que ele tem, possui espaço em qualquer time do planeta. Mas na minha opinião, sair do Clippers, nesse momento, seria um dos grandes erros que o ala poderia cometer.

Após os últimos playoffs, o Los Angeles Clippers voltou a ser respeitado como um time forte na pós-temporada, rótulo que havia perdido após o ano anterior, onde foram eliminados de forma vexatória contra o Denver Nuggets. E a esquadra conseguiu este feito sem ter Kawhi em quadra, devido a mais uma lesão em seu joelho. Paul George, que antes era considerado um leão na temporada regular e um gatinho nos playoffs, também acabou com essa narrativa ao assumir a responsabilidade do time e fazer um dos melhores playoffs individuais dos últimos anos. Ou seja – Los Angeles é o local certo para um jogador que quer um título estar, e o Clippers se apresenta como um time com totais condições de alcançar esse feito. Então, por que sair de lá?

Um time melhor? Um mercado maior? Companheiros melhores? Mais dinheiro? Acredito que Kawhi não encontrará isso em nenhum lugar a não ser no Clippers. O time é um dos melhores se considerarmos defesa, e um time que, com Paul George e o próprio ala, torna-se uma das grandes forças ofensivas do oeste, ainda mais pensando em um time que conte com Reggie Jackson e Marcus Morris em um nível equivalente ao que mostraram nos playoffs.

E falando de mercado… Existe algum melhor do que Los Angeles? Talvez Nova Iorque, mas não seria algo tão discrepante assim, e sobre as questões questões financeiras… O Clippers vai pagar o que for preciso para tê-lo em seu time. Resumindo – não existem razões suficientes para que Leonard deixe seu atual clube.

Alguns podem pensar que Kawhi Leonard gostaria de um novo desafio em alguma outra franquia para se provar, porém não vejo local melhor para que ele se prove do que o Clippers. Conseguir o feito de levar esse time ao título, com toda a certeza faria dele o grande nome da história do time, podendo superar até o ídolo Chris Paul. E sem a menor dúvida, faria de Kawhi um dos maiores jogadores da história da NBA. Pensem na narrativa de Kawhi ser o grande nome do primeiro título de duas franquias da liga, levando em consideração que ele já fez isso em Toronto – é uma narrativa muito forte, e certamente faria do seu legado algo mais admirável ainda. Então, ele já tem um grande desafio nas mãos.

Resumindo, para mim não existe um motivo para que Kawhi Leonard teste mercado deixando o Los Angeles Clippers, tudo que ele quer, ele tem no time, e outra coisa, Kawhi ainda tem seu começo de temporada questionável devido à sua última lesão, ou seja, talvez seja muito mais confortável para ele ficar onde está, onde teu seu lugar mais do que garantido. Na minha opinião os rumores envolvendo o nome de Kawhi em outras franquias, não passam disso, de rumores, acredito firmemente de que o ala não sairá do Clippers nesse momento, pelo menos não antes de levar o time ao menos à uma final, já que esse foi o principal motivo para ele ter aceitado a proposta de jogar por essa equipe não é mesmo?

É hora de Damian Lillard dizer adeus

Com os rumores de pedido de troca de Lillard crescendo, será que chegou o momento da saída do armador?

Desde a eliminação do Portland nos últimos playoffs, os rumores sobre a saída de Damian Lillard da franquia do Oregon só aumentam. Claro que os boatos não são devidos às atuações do armador – muito pelo contrário, Lillard vem de uma de suas melhores temporadas individuais. Mas como surgiram esses rumores?

Isso começou após o anúncio da demissão de Terry Stotts. A saída do treinador já era esperada, até porque seus resultados nos últimos anos eram muito longe do esperado para o time, e pior: a equipe não conseguia acompanhar o ritmo de jogo de Lillard. O fato que acabou aparentemente chateando Damian foi que a diretoria sequer pensou em consultá-lo sobre a demissão do ex-comandante, atitude que fez com que Lillard repensasse o real valor que a franquia dava para ele. Mas o real estopim do desapontamento do número 0 foi a não participação no processo de contratação do novo treinador, este inclusive, que não agradou nenhum pouco Damian Lillard.

De todos os treinadores disponíveis, Chauncey Billups não era nem de perto o favorito dos torcedores do Blazers, e muito menos de Lillard, que obviamente esperava alguém mais experiente, que lhe desse uma maior segurança de melhoria para a próxima temporada. Não que a contratação do ex-jogador do Detroit Pistons para o comando técnico seja a principal motivação do desejo de troca, mas é inegável que é um dos principais fatores para que este cresça tanto nas últimas semanas.

É muito provável que Lillard oficializará seu pedido quando retornar dos Jogos Olímpicos de Tóquio, e todos nós sabemos que quando um jogador da grandeza de Damian pede troca, é mais do que certeza de que o pedido será atendido. E daí vem o questionamento: será que é o melhor momento para Damian Lillard fazer isso?

Lillard pode deixar o Portland ainda esse ano. Foto: El Confidencial.

A minha resposta ̩ Рsem a menor sombra de d̼vida.

Desde sua chegada em 2012 no time, Damian Lillard sempre deu o seu máximo em quadra, chamando a responsabilidade nos momentos decisivos, e em grande parte desses, conseguiu dar importantes vitórias para o Portland. Um jogador que mesmo nunca tendo companheiros à altura, conseguiu levar o Blazers para uma final de conferência contra o poderoso Golden State Warriors em 2019 – temporada essa, que para muitos, ele mereceria ter sido o MVP.

Damian Lillard deu tudo e mais um pouco do que podia para Portland. Já mostrou seu carinho pela cidade em duas renovações de contrato, onde tinha oportunidades muito melhores e mesmo assim decidiu ficar, mas agora não dá mais. O Blazers não se mostra competitivo para a próxima temporada. É um time que não consegue atrair nenhum All-Star para jogar ao lado do armador, uma equipe que não apresentou nenhuma evolução nos últimos cinco anos, ou seja: é hora de Lillard pensar nele e no legado que quer deixar dentro da maior liga de basquete do mundo.

É fato que se estiver em um time com um comando técnico mais experiente, com companheiros de equipe que estejam ao menos próximos de seu nível, e em um mercado mais atrativo do que Portland, Damian Lillard poderá alcançar seu nível máximo de jogo, podendo ser MVP da liga, e com toda a certeza, provável campeão da NBA.

Lillard sairia do Blazers sendo um dos maiores jogadores da história da franquia, com o sentimento de que deu tudo que podia para fazer o time ser campeão, tendo o reconhecimento e o aval de todos os torcedores. E mais: se for envolvido em uma boa troca, pode ir dando um futuro para o time. Então, esse é o melhor momento possível para o armador seguir um novo caminho e deixar o Portland Trail Blazers.

23 de julho de 2021

O Dream Team pode não ser tão favorito assim…

Seleção estadunidense que perdeu para a Nigéria mostrou que não é tão imbatível assim

Em qualquer competição onde a seleção estadunidense de basquete está envolvida, ela é sempre colocada como a grande favorita, a seleção imbatível. E na Olimpíada de Tóquio não é diferente – ou pelo menos não era. Após a derrota do time comandado pelo treinador Gregg Popovich para a surpreendente seleção nigeriana, muitas críticas apareceram para a equipe, que conta com jogadores do nível de Kevin Durant e Damian Lillard.

No jogo preparatório contra a Nigéria, vimos um time desorganizado e sem um estilo de jogo definido. Claro que a ausência de um armador controlador fez falta, já que nos últimos ciclos olímpicos o time tinha Chris Paul para executar esse papel; hoje nenhum jogador convocado possui suas características. É óbvio que isso não é desculpa, já que a equipe possuía inúmeras opções infinitamente melhores do que a seleção africana, que tinha nomes como o jovem Precious Achiuwa.

A maior dificuldade vista no jogo foi a de criação de jogadas – o time foi totalmente dependente de lances individuais de Kevin Durant, Damian Lillard e Jayson Tatum. As poucas jogadas mais elaboradas eram sempre feitas visando o garrafão, tendo como alvo Bam Adebayo. Em situações normais, somente o individualismo conseguiria dar a vitória aos estadunidenses, porém a Nigéria foi muito eficiente nos contra-ataques e nas bolas de três pontos, e isso fez com que a zebra atacasse.

Foto: NYT

É óbvio que esperamos mais de um time com tantas estrelas e liderado pelo histórico Popovich, porém o mau desempenho pode ter como principal causalidade a desgastante temporada que os jogadores tiveram e o pouco tempo de treinamento. A tendência é que até a Olimpíada o time esteja mais entrosado e apresente um basquete digno de “Dream Team”. Porém, vendo algumas possíveis adversárias da seleção estadunidense em ação, posso dizer que o favoritismo unânime pode não ser tão grande assim.

A seleção espanhola, por exemplo, apresenta um basquete muito bem treinado, um jogo coletivo extremamente forte e letal. O entrosamento da Espanha já está muito acima das outras seleções, já que este time está junto desde o mundial de 2019. A França também possui um time competitivo, tendo uma ótima defesa de garrafão com Rudy Gobert e bons arremessadores do perímetro, como Evan Fournier e Frank Ntilikina.

E há outras seleções, como as da Eslovênia, Argentina e Austrália, que também vêm forte na disputa de medalhas.

O favoritismo dos Estados Unidos irá permanecer mesmo após a derrota, porém as dúvidas que antes eram inimagináveis hoje pairam sobre a seleção. Se fosse para apostar meu suado dinheiro em alguma time em Tóquio, claro que seria neles, porém hoje eu não desconsidero a possibilidade de mais uma zebra acontecer no Japão.


Hawks sai de cabeça erguida!

Time perde para Bucks, mas sai como grande surpresa da temporada

No começo da temporada, as expectativas em cima do Atlanta Hawks eram de ver um time realmente competitivo. Isso muito por conta das contratações que a equipe fez durante a off-season. Bogdan Bogdanovic vinha de ótimas temporadas no Sacramento Kings, e se encaixaria muito bem com o estilo ofensivo do time – na teoria. Já Danilo Gallinari veio de um ótimo ano em Oklahoma, no Thunder, sendo inclusive um dos melhores jogadores da equipe. Com toda a certeza iria contribuir não só tecnicamente, mas muito também com sua experiência. 

As expectativas de um bom ano não vinham somente pelos jogadores que chegaram em Atlanta, mas também pela evolução prevista dos que lá já estavam. Trae Young tendo um time mais competitivo, certamente iria dar um grande salto em sua carreira, deixando de ser um jogador dito como “peladeiro” e se tornando um verdadeiro líder. Cam Reddish era outro que tinha uma possibilidade de crescimento muito grande. O jogador, que veio daquele incrível time da Duke que contava com Zion Williamson e RJ Barrett, não teve um bom ano de calouro, e tinha tudo para ser muito mais utilizado em 2021. E De’Andre Hunter e Kevin Huerter eram outros com grande chance de evolução.

Com o decorrer da temporada, o Hawks não mostrou o basquete que esperávamos logo de cara. Além de não encaixar de imediato, o time também sofreu muito com as lesões que não abandonaram a franquia da Geórgia. Reddish, Hunter e Gallinari foram alguns dos jogadores que não ficaram saudáveis durante a temporada regular. Porém, ao chegar perto dos playoffs, a equipe cresceu demais, e principalmente, por causa de Trae Young, começou a mostrar que Atlanta não seria somente mais um time nesta fase.

Na série contra o New York Knicks, o Atlanta surpreendeu a todos ao mostrar um basquete extremamente maduro, consistente e ofensivamente dominante contra um ótima defesa montada pelo técnico do oponente, Tom Thibodeau. Os jogos tiveram um Trae Young mostrando ao mundo que pode sim ser considerado um jogador de elite da NBA. Além de exibir todo o seu potencial em um Madison Square Garden lotado, também repetiu o feito contra um dos grandes favoritos ao título da conferência Leste, o Philadelphia 76ers.

Giannis Antetokounmpo e Solomon Hill durante jogo das finais da conferência Leste. Foto: AP Photo/Ben Gray

Contra o Sixer,s o Hawks mostrou que não seriam uma zebra, mas sim um real candidato ao título de conferência. Com um basquete muito rápido,envolvente e letal, o time conseguiu eliminar o grupo de Joel Embiid e se classificou para as grandes finais do leste.

O embate foi contra o forte Milwaukee Bucks, que mesmo sofrendo com a ausência de Giannis Antetokounmpo, conseguiu superar o time de Trae Young, assim encerrando a brilhante jornada do Atlanta Hawks nesta temporada.

Mesmo sendo eliminado, o Atlanta mudou totalmente de patamar dentro da liga. Um time considerado promissor já pode ser considerado uma realidade e um real bicho papão dentro da conferência.

Trae Young, sem sombra de dúvida, entra na próxima temporada como um dos fortes candidatos a ser um All-Star e figurar na corrida para MVP. O grande trabalho de Nate McMillan no comando da equipe também deve ser aplaudido. O treinador, que pegou o time na reta final da temporada, conseguiu mudar totalmente o estilo de jogo e tornar o Hawks uma equipe sólida dos dois lados da quadra.

O Atlanta, para mim, é a maior surpresa dessa temporada, mas uma surpresa que com toda a certeza se tornará uma realidade no próximo ano. O Hawks diz adeus à temporada, mas sai de cabeça erguida, com o sentimento de que é somente o começo de uma trajetória vencedora.

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