🇧🇷 Parceiro NBA – Swish Responde

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Coluna Fala Luis

Por Luis Fernando Julio

Por que Kawhi Leonard não deve sair do Clippers? 

Ala pode optar por deixar a franquia de Los Angeles; mas será que deveria?

Estamos na off-season da NBA, e novamente o ala Kawhi Leonard se torna o grande protagonista desta época da NBA; lembrando que, em 2019, ao decidir deixar o Toronto Raptors e chegar ao Clippers, Kawhi foi o nome mais falado durante todo o período de negociação – e em 2021 não está sendo diferente. Leonard pode ativar sua player option e ingressar no mercado de free agents, e nós sabemos muito bem o impacto que isso terá caso ocorra.

Kawhi: permanência no Clippers questionada. Foto: Fadeaway.

É mais do que óbvio que caso Kawhi decida ir a mercado, propostas interessantes não faltarão. Até porque, um jogador que já foi MVP de duas finais, melhor defensor da temporada e com o poder de decisão que ele tem, possui espaço em qualquer time do planeta. Mas na minha opinião, sair do Clippers, nesse momento, seria um dos grandes erros que o ala poderia cometer.

Após os últimos playoffs, o Los Angeles Clippers voltou a ser respeitado como um time forte na pós-temporada, rótulo que havia perdido após o ano anterior, onde foram eliminados de forma vexatória contra o Denver Nuggets. E a esquadra conseguiu este feito sem ter Kawhi em quadra, devido a mais uma lesão em seu joelho. Paul George, que antes era considerado um leão na temporada regular e um gatinho nos playoffs, também acabou com essa narrativa ao assumir a responsabilidade do time e fazer um dos melhores playoffs individuais dos últimos anos. Ou seja – Los Angeles é o local certo para um jogador que quer um título estar, e o Clippers se apresenta como um time com totais condições de alcançar esse feito. Então, por que sair de lá?

Um time melhor? Um mercado maior? Companheiros melhores? Mais dinheiro? Acredito que Kawhi não encontrará isso em nenhum lugar a não ser no Clippers. O time é um dos melhores se considerarmos defesa, e um time que, com Paul George e o próprio ala, torna-se uma das grandes forças ofensivas do oeste, ainda mais pensando em um time que conte com Reggie Jackson e Marcus Morris em um nível equivalente ao que mostraram nos playoffs.

E falando de mercado… Existe algum melhor do que Los Angeles? Talvez Nova Iorque, mas não seria algo tão discrepante assim, e sobre as questões questões financeiras… O Clippers vai pagar o que for preciso para tê-lo em seu time. Resumindo – não existem razões suficientes para que Leonard deixe seu atual clube.

Alguns podem pensar que Kawhi Leonard gostaria de um novo desafio em alguma outra franquia para se provar, porém não vejo local melhor para que ele se prove do que o Clippers. Conseguir o feito de levar esse time ao título, com toda a certeza faria dele o grande nome da história do time, podendo superar até o ídolo Chris Paul. E sem a menor dúvida, faria de Kawhi um dos maiores jogadores da história da NBA. Pensem na narrativa de Kawhi ser o grande nome do primeiro título de duas franquias da liga, levando em consideração que ele já fez isso em Toronto – é uma narrativa muito forte, e certamente faria do seu legado algo mais admirável ainda. Então, ele já tem um grande desafio nas mãos.

Resumindo, para mim não existe um motivo para que Kawhi Leonard teste mercado deixando o Los Angeles Clippers, tudo que ele quer, ele tem no time, e outra coisa, Kawhi ainda tem seu começo de temporada questionável devido à sua última lesão, ou seja, talvez seja muito mais confortável para ele ficar onde está, onde teu seu lugar mais do que garantido. Na minha opinião os rumores envolvendo o nome de Kawhi em outras franquias, não passam disso, de rumores, acredito firmemente de que o ala não sairá do Clippers nesse momento, pelo menos não antes de levar o time ao menos à uma final, já que esse foi o principal motivo para ele ter aceitado a proposta de jogar por essa equipe não é mesmo?

É hora de Damian Lillard dizer adeus

Com os rumores de pedido de troca de Lillard crescendo, será que chegou o momento da saída do armador?

Desde a eliminação do Portland nos últimos playoffs, os rumores sobre a saída de Damian Lillard da franquia do Oregon só aumentam. Claro que os boatos não são devidos às atuações do armador – muito pelo contrário, Lillard vem de uma de suas melhores temporadas individuais. Mas como surgiram esses rumores?

Isso começou após o anúncio da demissão de Terry Stotts. A saída do treinador já era esperada, até porque seus resultados nos últimos anos eram muito longe do esperado para o time, e pior: a equipe não conseguia acompanhar o ritmo de jogo de Lillard. O fato que acabou aparentemente chateando Damian foi que a diretoria sequer pensou em consultá-lo sobre a demissão do ex-comandante, atitude que fez com que Lillard repensasse o real valor que a franquia dava para ele. Mas o real estopim do desapontamento do número 0 foi a não participação no processo de contratação do novo treinador, este inclusive, que não agradou nenhum pouco Damian Lillard.

De todos os treinadores disponíveis, Chauncey Billups não era nem de perto o favorito dos torcedores do Blazers, e muito menos de Lillard, que obviamente esperava alguém mais experiente, que lhe desse uma maior segurança de melhoria para a próxima temporada. Não que a contratação do ex-jogador do Detroit Pistons para o comando técnico seja a principal motivação do desejo de troca, mas é inegável que é um dos principais fatores para que este cresça tanto nas últimas semanas.

É muito provável que Lillard oficializará seu pedido quando retornar dos Jogos Olímpicos de Tóquio, e todos nós sabemos que quando um jogador da grandeza de Damian pede troca, é mais do que certeza de que o pedido será atendido. E daí vem o questionamento: será que é o melhor momento para Damian Lillard fazer isso?

Lillard pode deixar o Portland ainda esse ano. Foto: El Confidencial.

A minha resposta ̩ Рsem a menor sombra de d̼vida.

Desde sua chegada em 2012 no time, Damian Lillard sempre deu o seu máximo em quadra, chamando a responsabilidade nos momentos decisivos, e em grande parte desses, conseguiu dar importantes vitórias para o Portland. Um jogador que mesmo nunca tendo companheiros à altura, conseguiu levar o Blazers para uma final de conferência contra o poderoso Golden State Warriors em 2019 – temporada essa, que para muitos, ele mereceria ter sido o MVP.

Damian Lillard deu tudo e mais um pouco do que podia para Portland. Já mostrou seu carinho pela cidade em duas renovações de contrato, onde tinha oportunidades muito melhores e mesmo assim decidiu ficar, mas agora não dá mais. O Blazers não se mostra competitivo para a próxima temporada. É um time que não consegue atrair nenhum All-Star para jogar ao lado do armador, uma equipe que não apresentou nenhuma evolução nos últimos cinco anos, ou seja: é hora de Lillard pensar nele e no legado que quer deixar dentro da maior liga de basquete do mundo.

É fato que se estiver em um time com um comando técnico mais experiente, com companheiros de equipe que estejam ao menos próximos de seu nível, e em um mercado mais atrativo do que Portland, Damian Lillard poderá alcançar seu nível máximo de jogo, podendo ser MVP da liga, e com toda a certeza, provável campeão da NBA.

Lillard sairia do Blazers sendo um dos maiores jogadores da história da franquia, com o sentimento de que deu tudo que podia para fazer o time ser campeão, tendo o reconhecimento e o aval de todos os torcedores. E mais: se for envolvido em uma boa troca, pode ir dando um futuro para o time. Então, esse é o melhor momento possível para o armador seguir um novo caminho e deixar o Portland Trail Blazers.

23 de julho de 2021

O Dream Team pode não ser tão favorito assim…

Seleção estadunidense que perdeu para a Nigéria mostrou que não é tão imbatível assim

Em qualquer competição onde a seleção estadunidense de basquete está envolvida, ela é sempre colocada como a grande favorita, a seleção imbatível. E na Olimpíada de Tóquio não é diferente – ou pelo menos não era. Após a derrota do time comandado pelo treinador Gregg Popovich para a surpreendente seleção nigeriana, muitas críticas apareceram para a equipe, que conta com jogadores do nível de Kevin Durant e Damian Lillard.

No jogo preparatório contra a Nigéria, vimos um time desorganizado e sem um estilo de jogo definido. Claro que a ausência de um armador controlador fez falta, já que nos últimos ciclos olímpicos o time tinha Chris Paul para executar esse papel; hoje nenhum jogador convocado possui suas características. É óbvio que isso não é desculpa, já que a equipe possuía inúmeras opções infinitamente melhores do que a seleção africana, que tinha nomes como o jovem Precious Achiuwa.

A maior dificuldade vista no jogo foi a de criação de jogadas – o time foi totalmente dependente de lances individuais de Kevin Durant, Damian Lillard e Jayson Tatum. As poucas jogadas mais elaboradas eram sempre feitas visando o garrafão, tendo como alvo Bam Adebayo. Em situações normais, somente o individualismo conseguiria dar a vitória aos estadunidenses, porém a Nigéria foi muito eficiente nos contra-ataques e nas bolas de três pontos, e isso fez com que a zebra atacasse.

Foto: NYT

É óbvio que esperamos mais de um time com tantas estrelas e liderado pelo histórico Popovich, porém o mau desempenho pode ter como principal causalidade a desgastante temporada que os jogadores tiveram e o pouco tempo de treinamento. A tendência é que até a Olimpíada o time esteja mais entrosado e apresente um basquete digno de “Dream Team”. Porém, vendo algumas possíveis adversárias da seleção estadunidense em ação, posso dizer que o favoritismo unânime pode não ser tão grande assim.

A seleção espanhola, por exemplo, apresenta um basquete muito bem treinado, um jogo coletivo extremamente forte e letal. O entrosamento da Espanha já está muito acima das outras seleções, já que este time está junto desde o mundial de 2019. A França também possui um time competitivo, tendo uma ótima defesa de garrafão com Rudy Gobert e bons arremessadores do perímetro, como Evan Fournier e Frank Ntilikina.

E há outras seleções, como as da Eslovênia, Argentina e Austrália, que também vêm forte na disputa de medalhas.

O favoritismo dos Estados Unidos irá permanecer mesmo após a derrota, porém as dúvidas que antes eram inimagináveis hoje pairam sobre a seleção. Se fosse para apostar meu suado dinheiro em alguma time em Tóquio, claro que seria neles, porém hoje eu não desconsidero a possibilidade de mais uma zebra acontecer no Japão.


Hawks sai de cabeça erguida!

Time perde para Bucks, mas sai como grande surpresa da temporada

No começo da temporada, as expectativas em cima do Atlanta Hawks eram de ver um time realmente competitivo. Isso muito por conta das contratações que a equipe fez durante a off-season. Bogdan Bogdanovic vinha de ótimas temporadas no Sacramento Kings, e se encaixaria muito bem com o estilo ofensivo do time – na teoria. Já Danilo Gallinari veio de um ótimo ano em Oklahoma, no Thunder, sendo inclusive um dos melhores jogadores da equipe. Com toda a certeza iria contribuir não só tecnicamente, mas muito também com sua experiência. 

As expectativas de um bom ano não vinham somente pelos jogadores que chegaram em Atlanta, mas também pela evolução prevista dos que lá já estavam. Trae Young tendo um time mais competitivo, certamente iria dar um grande salto em sua carreira, deixando de ser um jogador dito como “peladeiro” e se tornando um verdadeiro líder. Cam Reddish era outro que tinha uma possibilidade de crescimento muito grande. O jogador, que veio daquele incrível time da Duke que contava com Zion Williamson e RJ Barrett, não teve um bom ano de calouro, e tinha tudo para ser muito mais utilizado em 2021. E De’Andre Hunter e Kevin Huerter eram outros com grande chance de evolução.

Com o decorrer da temporada, o Hawks não mostrou o basquete que esperávamos logo de cara. Além de não encaixar de imediato, o time também sofreu muito com as lesões que não abandonaram a franquia da Geórgia. Reddish, Hunter e Gallinari foram alguns dos jogadores que não ficaram saudáveis durante a temporada regular. Porém, ao chegar perto dos playoffs, a equipe cresceu demais, e principalmente, por causa de Trae Young, começou a mostrar que Atlanta não seria somente mais um time nesta fase.

Na série contra o New York Knicks, o Atlanta surpreendeu a todos ao mostrar um basquete extremamente maduro, consistente e ofensivamente dominante contra um ótima defesa montada pelo técnico do oponente, Tom Thibodeau. Os jogos tiveram um Trae Young mostrando ao mundo que pode sim ser considerado um jogador de elite da NBA. Além de exibir todo o seu potencial em um Madison Square Garden lotado, também repetiu o feito contra um dos grandes favoritos ao título da conferência Leste, o Philadelphia 76ers.

Giannis Antetokounmpo e Solomon Hill durante jogo das finais da conferência Leste. Foto: AP Photo/Ben Gray

Contra o Sixer,s o Hawks mostrou que não seriam uma zebra, mas sim um real candidato ao título de conferência. Com um basquete muito rápido,envolvente e letal, o time conseguiu eliminar o grupo de Joel Embiid e se classificou para as grandes finais do leste.

O embate foi contra o forte Milwaukee Bucks, que mesmo sofrendo com a ausência de Giannis Antetokounmpo, conseguiu superar o time de Trae Young, assim encerrando a brilhante jornada do Atlanta Hawks nesta temporada.

Mesmo sendo eliminado, o Atlanta mudou totalmente de patamar dentro da liga. Um time considerado promissor já pode ser considerado uma realidade e um real bicho papão dentro da conferência.

Trae Young, sem sombra de dúvida, entra na próxima temporada como um dos fortes candidatos a ser um All-Star e figurar na corrida para MVP. O grande trabalho de Nate McMillan no comando da equipe também deve ser aplaudido. O treinador, que pegou o time na reta final da temporada, conseguiu mudar totalmente o estilo de jogo e tornar o Hawks uma equipe sólida dos dois lados da quadra.

O Atlanta, para mim, é a maior surpresa dessa temporada, mas uma surpresa que com toda a certeza se tornará uma realidade no próximo ano. O Hawks diz adeus à temporada, mas sai de cabeça erguida, com o sentimento de que é somente o começo de uma trajetória vencedora.

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