O Lakers é a maior decepção da temporada?

Atual campeão da NBA decepciona ao ser eliminado prematuramente nos playoffs

Por Luis Fernando Julio, do canal Swish TVBR

No começo desta temporada da NBA, ao ser perguntado sobre os favoritos ao título deste ano, o nome do Los Angeles Lakers era o primeiro a surgir em minha cabeça – por diversos fatores, mas o principal era que o mesmo time que foi campeão no ano anterior conseguiu se reforçar muito bem na off-season. A equipe trouxe nomes como Dennis Schroder, Montrezl Harrell e Marc Gasol.

Ao ver o elenco deste time no começo desta temporada, era mais do que claro que as expectativas seriam altíssimas. Mas, ao mesmo tempo, as dúvidas sobre o favoritismo da equipe não existiam, pois seria improvável imaginar que um time que conta com LeBron James, Anthony Davis e todos esses reforços conseguiria causar algum tipo de decepção.

Mas, meus amigos, o improvável aconteceu. Claro que os problemas do Lakers não se resumem somente ao que há dentro das quatro linhas, mas o extra quadra influenciou demais no fraco desempenho do time.

Lesões acompanharam a franquia durante todo o ano, começando com Anthony Davis. O pilar defensivo e ofensivo do time infelizmente reviveu algo que há tempos não vivia, uma lesão grave. Desde o New Orleans Pelicans, Davis não havia perdido mais de um mês de temporada devido a lesões, mas isto voltou a acontecer logo no momento em que ele tinha uma grande possibilidade de se tornar o MVP da liga.

Para a felicidade dos torcedores, o Lakers ainda contou com LeBron James em alto nível durante a ausência de AD, mas o azar já havia tomado conta do Staples Center. LeBron, que vinha para uma temporada digna de MVP, sofreu uma grave lesão, algo que não é de costume acontecer com um dos maiores de todos os tempos, que o tirou de uma grande parte da temporada.

Sem suas grandes estrelas, o futuro do Lakers ficou nas mãos de seus coadjuvantes, que na medida do possível conseguiram ter um bom desempenho – claro que muito abaixo do que era esperado, mas mantiveram o time na disputa dos playoffs, fazendo com que os torcedores pensassem “ tudo bem, quando LeBron e AD voltarem, tudo voltará ao normal”.

Mas acabou não voltando, mesmo quando os dois retornaram. O time não conseguiu atingir um nível de atuação digno do que se era esperado, e disputou o torneio de play-in.

Anthony Davis e LeBron James: a dupla não colheu bons resultados nesta temporada. Foto: The Sports Rush.

Durante a repescagem, a expectativa seria de uma passagem tranquila; porém, ao enfrentar o Golden State Warriors, vimos que o basquete dominante que todos achariam que o Lakers apresentaria estava longe de ser realidade.

O time não conseguiu ser melhor do que seu adversário, logrando a vitória somente por um arremesso improvável de LeBron no final. Mas a má apresentação da equipe não tirou a confiança que todos tinham no atual campeão, já que projetávamos uma melhora no grupo quando os playoffs começassem de vez. E, ao cair contra o Phoenix Suns na primeira rodada, as expectativas em relação à classificação eram grandes.

O Suns veio de uma temporada gigantesca, onde conseguiu a segunda colocação no oeste. Um feito que teve todo o mérito do time e de seu treinador fantástico, Monty Williams.

Todo esse trabalho foi recompensado ao final da série. Após seis jogos, o Suns de Devin Booker, DeAndre Ayton e Chris Paul – que mesmo sofrendo uma lesão no ombro conseguiu jogar todas as partidas – bateu o todo poderoso Lakers e se classificou para as semifinais da conferência.

O bom basquete do time tem que ser enaltecido, mas é fato que o Lakers jogou muito mal em todas as oportunidades. Mesmo nas vitórias o time não convenceu, e ao perder Anthony Davis novamente devido a outra lesão, a equipe sucumbiu e foi eliminada.

Não é demérito ser eliminado pelo Phoenix Suns – o time é realmente bom, muito bem treinado e conta com talentos individuais incríveis. Porém, um time como o Lakers, que foi campeão na última temporada, que fez grandes movimentos na off-season e que conta com dois jogadores simplesmente fora da curva, não poderia ser eliminado na primeira rodada dos playoffs.

Tudo que poderia dar errado no time nesta temporada deu – lesões, baixo rendimento das contratações e evolução nula do sistema tático de Frank Vogel. Isso culminou nessa temporada desastrosa do time, que teria totais condições de ser campeão neste ano.

Muita coisa deve mudar para a próxima temporada em Los Angeles, porém mais do que contratações, os aspectos físicos do time é que devem ser o grande foco de melhoria. AD precisa se recuperar totalmente, e LeBron… Bom, ele não está ficando mais jovem, e vimos durante toda a temporada que lesões podem se tornar um problema para o King.

Brooklyn Nets não é favorito ao título

Equipe que é colocada como o melhor time da temporada, pode não ser campeã por conta de um motivo

Por Luis Fernando Julio, do canal SwishTV BR

A partir do momento que o Brooklyn Nets anunciou a contratação de James Harden, todo o mundo da NBA voltou seus olhos para o time, que formou um dos trios de ataque mais fenomenais que a liga já viu. Com Harden, Kyrie Irving e Kevin Durant, o Nets rapidamente se tornou um dos grandes (se não o maior) favoritos ao título da temporada neste ano. Após alguns meses, o time surpreendeu novamente e trouxe o ex-All-Star Blake Griffin, fazendo com que seu favoritismo aumentasse de forma gigantesca.

Mesmo sofrendo com lesões durante toda a temporada, principalmente de Durant e Harden, o time conseguiu garantir a segunda colocação no leste, com 48 vitórias e somente 24 derrotas. Teve grandes surpresas individuais em seu elenco, como o ala-pivô Nicolas Claxton, que se tornou uma peça muito confiável, e o ala-armador Bruce Brown, que substituiu KD durante sua ausência, com atuações muito boas e consistentes. Porém, uma lacuna no elenco comandado por Steve Nash não foi preenchida, e parece que nem será – a defesa.

O ataque simplesmente incrível e encantador do Brooklyn contrasta muito com a defesa totalmente mal montada que o time possui, contando apenas com Durant como um defensor acima da média. O time consegue ser um dos que mais pontuam e que mais sofrem pontos por jogo dentro da NBA, algo que se provou totalmente insustentável dentro dos playoffs da liga durante a história.

Vamos olhar para o Phoenix Suns onde jogava Steve Nash, atual técnico do Nets. Era um time com um excelente ataque, porém defensivamente não era um primor, e não conseguiu grandes sucessos com isso. Podemos também olhar para um exemplo mais recente, o Houston Rockets comandado por Mike D’Antoni – coincidentemente o mesmo que treinou o Suns citado. A equipe tinha a filosofia clara de fazer o máximo de pontos possíveis para compensar a falta de defesa, e vimos que não foi um esquema que se provou eficiente nos momentos decisivos da pós-temporada, e podemos dizer que o Nets de Nash segue esta mesma linha.

BIG3 do Nets. Foto: ESPN.

Claro que nem o Suns e nem o Rockets tinham três jogadores do nível de Durant, Harden e Irving, jogadores que podem ser considerados top 10 da última década. Mas títulos, em geral, são vencidos por times que conseguem o maior equilíbrio entre ataque e defesa, como o Lakers campeão da última temporada – uma equipe com um ataque excepcional com LeBron James e Anthony Davis, porém com uma defesa tão boa quanto. O Toronto Raptors, um time extremamente organizado e compacto; a própria dinastia Golden State Warriors, franquia letal no ataque e muito forte na defesa.

Não que o Brooklyn não possa ser campeão por conta da falta de defesa; jamais se deve apostar contra um BIG3 como eles têm. Mas também é arriscado pensar que somente um ataque fenomenal dará o título ao Nets. Já vimos diversas vezes que ser bom em apenas uma área do jogo não costuma ser a melhor estratégia para ser campeão.

Entrevista: Oscar Bertolini, presidente da Associação de Arbitragem de Basquetebol Máster

O basquete máster é uma realidade no Brasil, e a modalidade possui uma associação de árbitros. Confira nossa entrevista exclusiva com o presidente da organização, Oscar Bertolini.

No Brasil hoje existem muitos empreendedores na área de arbitragem, mas nenhum deles, especificamente, como nós da AABM, na área do basquete máster

Oscar Bertolini, presidente da associação

Como surgiu a necessidade da criação da Associação de Arbitragem de Basquetebol Máster?

Oscar Bertolini: Ela surge da necessidade de estar em consonância com as mudanças no mundo do basquetebol máster, dentro do país e dentro de cada estado que faz parte da FBBM (Federação Brasileira de Basquetebol Máster).

Além disto, temos uma visão diferenciada no máster. Depois da idade de 45 anos, deve-se olhar diferentemente para cada categoria e para cada naipe – estamos falando de masculino e feminino. Sabemos que a evolução do nosso organismo é descendente depois dos 35 anos, e, portanto, as reações de comando cerebral e de velocidade de reação na modalidade fazem com que estudemos cada faixa etária e tenhamos uma orientação de interpretação das ações de defesa e ataque dos indivíduos na quadra de jogo.

Onde é a sede da associação? Quantos membros fazem parte dela?

Para fins documentais e de fundação está baseada na cidade de João Pessoa, na Paraíba. Porém, por motivos de coordenação, hoje estamos em Chapecó (SC). Fazem parte dela hoje aproximadamente 60 integrantes entre oficiais de mesa e de quadra.

Como é o panorama do basquete máster no Brasil? A prática vem se popularizando nos últimos anos?

O panorama é muito bom. A cada ano somam-se cada vez mais equipes formadas por praticantes nos estados do Brasil, tanto no feminino como no masculino. O basquete máster é muito popular aqui no Brasil. Sentimos que está tendo mais interesse a cada ano, de equipes novas de diferentes regiões do país, em participar e fazer parte dos eventos nacionais e regionais.

Oscar Bertolini: a arbitragem do basquete máster tem particularidades. Foto: arquivo pessoal.

Com sua experiência profissional, como você vê a arbitragem no Brasil e os empreendimentos de alguns árbitros, que inovam atuando em empresas de gestão esportiva, de eventos, etc?

No Brasil hoje existem muitos empreendedores na área da arbitragem, mas nenhum deles, especificamente, como nós da AABM, na área do basquete máster. A maioria das empresas de arbitragem são privadas, cobrem necessariamente o lugar das federações que não tem quadro de oficiais suficiente para atender às demandas dos seus filiados e das associações que representam as diferentes categorias de praticantes da modalidade.

Como é a remuneração dos árbitros do máster? Há um piso?

A remuneração é um caso a ser definido ainda. Não temos uma regulamentação definida, estamos em estudos de valores, de acordo ao tipo de evento, tempo de execução, quantidade de jogos e necessidade de quantitativo de oficiais para os mesmos. Pode variar em valores, porém todos eles serão dentro da realidade do país e do momento econômico. Portanto, não estipulamos um piso salarial – não no momento.

Los Angeles Clippers: mais uma decepção em 2021?

Time, que chegou como favorito contra o Dallas, sofreu uma dura derrota no começo da série

Por Luis Fernando Julio, do canal SwishTV BR

Após um 2020 recheado de críticas, o Los Angeles Clippers chegou para a temporada 20/21 cercado de desconfianças, muitas por conta da péssima atuação do time nos últimos playoffs. Na ocasião, a franquia foi eliminada contra o Denver Nuggets, de uma forma que podemos até dizer que vexatória, após sofrer uma dura e dolorosa virada na série. O principal alvo das críticas era o ala Paul George, que teve uma atuação na pós-temporada muito abaixo do que era esperado, e após sua renovação, as cobranças em cima dele cresceram muito.

O Clippers fez boas aquisições na off-season, trazendo nomes como Serge Ibaka, Nicolas Batum e, durante a trade deadline, o armador bicampeão da NBA, Rajon Rondo. Tudo isso além da troca de treinador, adquirindo Tyron Lue, campeão pelo Cleveland Cavaliers em 2016. A equipe teve um bom salto de evolução e se tornou um time muito consistente, com um ótimo aproveitamento no ataque, uma defesa sólida e uma rotação sólida. Porém, alguns problemas continuaram, como a falta de armação de jogo, sendo um time muito previsível no ataque em diversos momentos, pois a dependência de jogadas individuais de Kawhi Leonard e Paul George persistiu durante toda a temporada. 

Mesmo não sendo um time brilhante, o Clippers teve uma boa fase regular, terminando na quarta colocação na conferência Oeste, com 47 vitórias e 25 derrotas apenas. A equipe chegou aos playoffs como uma das favoritas ao título do oeste, já que se trata de um time com um ótimo recorde e com duas das grandes estrelas da NBA atual.

Derrota no jogo de ontem, contra o Mavs, coloca o time em uma situação delicada. Foto: Twitter Clippers

Ao vermos que seu adversário na pós-temporada seria o oscilante Dallas Mavericks, foi mais do que natural que o favoritismo aumentasse ainda mais, já que no papel o time de Los Angeles era muito superior à equipe comandada por Luka Doncic. A estrela do Mavs, mesmo tendo uma temporada maravilhosa, não conseguiu fazer com que seus companheiros atingissem um nível acima. Ou seja, a série era uma tarefa relativamente tranquila para o Clippers, certo? Errado.

No jogo 1, que foi disputado em Los Angeles, vimos um time totalmente diferente do visto na temporada regular – uma equipe que não conseguiu se encontrar no ataque, embora tenha tido um desempenho defensivo muito bom. Com um mísero aproveitamento de 27,5% nas bolas de três, o Clippers não conseguiu dominar o controle do jogo como se era esperado, e viu Luka Doncic simplesmente acabar com o jogo, terminando inclusive com um belo triple-double e levando a vitória para Dallas, roubando assim um mando de quadra. Claro que é difícil imaginar que o time repita o péssimo desempenho ofensivo durante toda a série, porém é fato que o Clippers não é o time consistente que todos nós achamos que seria. Até porque ontem, dia 24, o time novamente perdeu para o Dallas.

Ainda há muita coisa para rolar durante a série contra o Mavs, mas é fato de que todas as dúvidas que tínhamos em relação ao Clippers, aumentaram ainda mais. Sinceramente confio no time, e acredito que ainda podem ser os favoritos contra o Dallas.

Porém, já não me arrisco a dizer que são favoritos ao título da conferência. Caso não conquistem ao menos uma vaga nas finais do oeste nessa temporada, posso afirmar que o projeto Kawhi e Paul George se tornou realmente um fracasso.

Mas não é prudente duvidar de jogadores do nível de ambos – entretanto, também não é prudente confiar em um time que muda tanto de nível de atuação em momentos decisivos, não é mesmo?

Reveja esta falta técnica estranha de Jordan Clarkson, eleito Sexto Homem do ano

A NBA divulgou na última segunda-feira, dia 24, que o prêmio de Sexto Homem da temporada foi vencido pelo armador Jordan Clarkson, do Utah Jazz. Ele era um dos favoritos à premiação e, saindo do banco, teve média nesta temporada de 18,4 pontos por jogo.

Porém, no último dia de 2020, na partida em casa contra o Phoenix Suns, Clarkson recebeu uma falta técnica no mínimo estranha – para o árbitro, neste caso. Ao disputar uma bola que saiu fora da linha, ele veementemente empurra o referee da partida, Karl Lane. Reveja o fato:

Ele automaticamente recebeu uma falta técnica. Apesar dos narradores da partida emularem que talvez Jordan houvesse confundido o árbitro com um oponente, as imagens mostram um claro empurrão em Lane, que tem 10 anos de liga e foi um dos 36 selecionados para os playoffs deste ano.

*Foto do destaque: Quondam

Final do NBB pela primeira vez terá duas árbitras em quadra

Nesta segunda-feira (24), acontece o segundo jogo das finais do NBB entre São Paulo e Flamengo. O trio de arbitragem será formado por Cristiano Maranho, Andreia Regina Silva e Maria Cláudia Comodaro*. É a primeira vez que duas mulheres oficiarão juntas uma final do NBB – quando a organização do campeonato era da CBB, isso também ainda não havia ocorrido.

Flávia Almeida, Coordenadora de Arbitragem da Liga Nacional de Basquete, foi a primeira a apitar a final do Masculino Adulto da CBB, em 2008, e também a pioneira em oficiar a final do NBB, na temporada 2010/2011.

Flávia foi pioneira nas finais masculinas. Foto: Maringá Post.

Para Andreia, que trabalhou na final do NBB de 2018/2019 e estará nas Olimpíadas de Tóquio, e foi a primeira mulher a ter a licença black da Federação Internacional de Basquete – FIBA -, a ocasião marca uma importante conquista, porém ela ressalta que a presença das duas é 100% de caráter técnico:

É uma vitória para a arbitragem feminina. Uma barreira sendo quebrada. Mas precisamos apresentar uma excelente qualidade técnica… Não estamos aqui por sermos mulheres, mas por termos condições para isso.

 

Andreia estará oficiando os jogos em Tóquio. Foto: Globo Esporte.

Maria Cláudia Comodaro ressalta a importância da representação feminina na arbitragem, citando que essa escalação inspirará outras mulheres a buscarem a profissionalização no ramo da arbitragem:

Primeiro estou muito feliz, não só por mim, mas por tudo que isso representa. São muitos anos de estudo, treinos e lutas sendo recompensados e mostrando que todo trabalho vale a pena. Muitas mulheres me serviram de inspiração pra chegar até aqui, então minha maior alegria e desejo é que isso também sirva de inspiração pra tantas outras, mostrando sempre que é possível a mulher ocupar qualquer lugar sim! Agora é focar no jogo e dar o nosso melhor! Lutar como uma mulher!

Maria Cláudia estará em quadra hoje na final do NBB. Foto: Viva o Basquete.

*Completam a escalação técnica as oficiais de mesa Julie Marques, Aline Miranda e Isabela Valentim. Como representante, Fernando Wayand Souto, e no replay, Gabriel Signorelli Balthazar.

Final NBB: oficiais de mesa relatam como é estar nesse evento

É um mistura positiva de responsabilidade, prazer, orgulho e seriedade

Neste sábado (21), acontece o primeiro jogo da final do NBB entre Flamengo e São Paulo. Em quadra, os oficiais serão Fernando Serpa, Diego Chiconato e Jacob Cassimiro Barreto, todos árbitros de categoria internacional. Luiz Cláudio dos Anjos Bonifácio é o representante, e a operação do replay está a cargo de César Augusto Gonçalves Lopes.

Nesta semana, o Árbitros NBA entrevistou Fátima Aparecida da Silva, na abertura de nossa série de textos sobre os profissionais que trabalham na arbitragem da partida e nos outros controles de tempo e pontuação. Fátima passou por todas as posições de arbitragem dentro e fora de quadra, e uma delas foi a de oficial de mesa.

Amanhã, na base de marcação de pontos do Ginásio do Maracãnazinho, três oficiais de mesa estarão desempenhando suas funções na final de um campeonato. A apontadora será Maria Thereza Rezende; como cronometrista, Cláudia Molina, e como operadora dos 24 segundos, Rosângela Esteves.

Em breve, o Árbitros NBA contará a história desses profissionais, a carreira e o processo de cada uma das funções.

Hoje perguntamos a três dos oito profissionais escalados como oficiais de mesa para as partidas do fechamento da temporada qual é a sensação de estar na final de um dos campeonatos mais disputados da América Latina. Confira as respostas:

É com grande satisfação que participo por mais um ano nas Finais do NBB. Confesso que estou sentindo falta da torcida, mas em tempos de pandemia é o mais seguro para todos. Boa sorte para as equipes finalistas (Cláudia Molina).

Sinto-me honrado e privilegiado em fazer parte do desfecho do melhor campeonato de basquetebol do meu país (Marcelo Cardoso).

A sensação é indescritível! O basquetebol é minha vida! É um mistura positiva de responsabilidade, prazer, orgulho e seriedade! Certeza de um belíssimo espetáculo para as Finais’21 do NBB (Maria Thereza Rezende, também Coordenadora de Arbitragem da FBERJ – Federação de Basquetebol do Estado do Rio de Janeiro).

Irmãos Goble na rodada do play-in desta quarta

Nesta quarta-feira (19), os irmãos Goble estarão nos jogos de play-in da NBA entre Golden State Warriors x Los Angeles Lakers e Memphis Grizzlies x San Antonio Spurs. John, 42 anos, será o crew chief do jogo entre os times californianos. Já Jacyn, dois anos mais novo, estará a cargo do Replay Center.

Simultaneamente estando nesta rodada, os dois, porém, nunca dividiram uma quadra na liga. John teve participação de 90 partidas de playoffs, e Jacyn estreia na pós-temporada.

John Goble está em sua temporada número 14 na NBA. Foto: Sun Sentinel.

Por outro lado, se nunca dividiram a arbitragem de um jogo, eles mantêm um forte vínculo familiar em suas rotinas. Jacyn diz consultar o irmão quando precisa tomar algumas decisões – como a compra de um bem, por exemplo.

Entretanto, as consultas fraternais também são na esfera profissional. “Eu procuro muito meu irmão, então sempre estive aprendendo com ele. Ainda faço isso. Ele está mais avançado no jogo, e é bom arbitrando, então, nas ocasiões em que trabalhei com ele (nota: em outras ligas), não era uma questão de termos opiniões diferentes sobre uma falta, mas eu lhe perguntando o porquê dessas marcações e aprendendo com ele.”

Jacyn espelha-se na experiência do irmão. Foto: Kamil Krzaczynski-USA TODAY Sports

A NBA já divulgou, de antemão quando Jacyn entrou na liga, que a ligação sanguínea não impediria a presença do clã Goble no mesmo jogo. As escalações para a arbitragem são feitas automaticamente por um software. A coincidência matemática que colocaria uma família em quadra, contudo, ainda não aconteceu.

Logo, os playoffs desta temporada poderão ser uma das ocasiões para que os irmãos sejam finalmente vistos juntos em uma das quadras da NBA. Juntamente com John e Jacyn Goble, estes foram os outros oficiais selecionados para as partidas decisivas que levarão à grande final.

Foto do destaque: NBA.com

Fátima Aparecida da Silva: “sou grata ao basquete”

Fátima Aparecida da Silva é uma das profissionais de arbitragem mais experientes do Brasil. Sua carreira nacional e internacional, que engloba também funções de delegada técnica e coordenação de oficiais de mesa e estatísticos, tem passagens por torneios como Copa América e Jogos Olímpicos.

Fátima, como diversos profissionais da área, empreende através de sua FFF Cia. de Eventos Esportivos, uma empresa de gestão esportiva. Confira abaixo a entrevista feita pelo Árbitros NBA :

Há um movimento no Brasil de muitos árbitros com projetos de empreendimentos esportivos. Como você analisa esse momento? 


Fátima Aparecida da Silva:
 o empreendedorismo é uma realidade no Brasil e no mundo, abrangendo vários segmentos e, aos poucos, acredito que alguns oficiais começaram a enxergar que poderiam investir em si e nas suas expertises, como gestão de equipes de arbitragem e eventos), por exemplo, visto que a demanda estava em crescimento em vários segmentos (escolas, universidades, empresas, condomínios, instituições religiosas) antes da pandemia. Além dos jogos, há a possibilidade de ministrar palestras, cursos e workshops. Todo este cenário, em sintonia com o surgimento do MEI , com o qual obtemos um CNPJ e podemos emitir uma nota fiscal eletrônica, com contabilidade fácil, tendo cobertura previdenciária de benefícios, abriram outras perspectivas para nós.             

O caminho para o futuro de um profissional de arbitragem pode ser fora das quatro linhas, com essas empresas de gestão esportiva e eventos?

FAS: com toda certeza. Muitas vezes, durante a carreira, o oficial precisa se ausentar por alguns dias e nem todas empresas permitem. Assim, o empreendedorismo é uma excelente opção. Conseguimos conciliar e gerenciar as duas funções, além de auxiliarmos outros oficiais a trabalharem e também abrindo portas, pois nem todos estão nas competições oficiais como Campeonato Paulista (FPB), outros nacionais ( NBB, CBA, LBF) ou internacionais ( BCLA, Sul-Americanos, etc).            

Fortalecendo-se no mercado durante a carreira, certamente, ao encerrá-la o oficial pode dar continuidade como gestor esportivo – recordando que sempre é importante manter-se estudando e se atualizando. 

Fátima é uma das profissionais brasileiras mais reconhecidas da arbitragem. Foto: LNB

A sua empresa, a FFF Cia. Eventos Esportivos, já conseguiu chegar nas metas previstas como você, no lançamento dela, pensou?  Quais são os caminhos futuros?     

FAS: verifico que conseguimos ir um pouco além do que imaginávamos no início, quando a Fabíola T. Nascimento era sócia. Depois tivemos uma baixa, pois administrava sozinha a empresa, mantendo pouquíssimos eventos, pois conciliar as aulas na escola (sou professora de Educação Física) e atuar como microempresária, comissária/ delegada técnica ficou complicado, mesmo contando com uma equipe comprometida e que me auxiliava bastante.                

Pensei em fechar, porém alguns oficiais me demoveram deste pensamento. Em 2019, convidei a Flávia Cristina Silva e a Fabiana Perozin para serem sócias, pois nossas expertises e experiências se somam. Planejamos novos rumos, porém com a pandemia, inicialmente, nos assustamos, como o mundo todo. Sem os eventos, aproveitamos para ampliar nosso trabalho junto às mídias sociais, fortalecemos novas parcerias, promovemos palestras e cursos virtuais para escolas e universidades, nos transportamos para o digital, que será um dos nossos caminhos futuros. Em breve, teremos novidades. Há muita coisa a ser realizada e acreditamos que coisas boas estão por vir.               

Quando você faz uma análise de sua carreira na arbitragem, o que você destaca e o que faria diferente? 

FAS: ingressei na FPB ( Federação Paulista de Basquete) aos 19 anos como oficial de mesa. Finalizei o curso de arbitragem com Antonio Carlos Affini, e naquela época mulher não poderia ser árbitro. Passado um ano, Geraldo Miguel Fontana foi nomeado instrutor e algumas mulheres formaram-se e foram designadas como árbitras. Então decidi participar do novo curso e assim comecei minha carreira de oficial de quadra. Em 1987, no Campeonato Mini-Feminino, realizado em Santo André, pela primeira vez a equipe de arbitragem foi composta apenas por mulheres – sete – e atuamos, tanto na quadra quanto na mesa.

No ano seguinte, em Piracicaba, éramos 22 mulheres, porém, infelizmente, com o passar dos anos, algumas pararam, outras permanecerem como oficiais de mesa e poucas prosseguimos na quadra. Após alguns anos, José Carlos Pelissari tornou-se o novo instrutor nos cursos de arbitragem e fui convidada a auxiliá-lo, junto com o Edson Nascimento. Nós como monitores também dávamos algumas aulas. Foi uma oportunidade de novos aprendizados e melhoria dos aspectos teóricos e técnicos de arbitragem. Em 1993, eu tive a oportunidade de participar da Taça Brasil em Guaratinguetá, junto com Tatiana Steigerwald e Elisabete Ferraciolli, além de conhecer outros árbitros nacionais e internacionais de outros estados. No final da temporada, fui eleita árbitro revelação da FPB, tendo a honra de receber o Troféu Oswaldo Caviglia em 1994.

1996 foi um ano mágico, pois comecei como árbitro regional e encerrei como internacional, após participar de cinco clínicas de avaliação (FPB, CBB e FIBA). Foram várias competições regionais, nacionais e internacionais, da base ao adulto. Isso abriu um novo mundo de viagens e oportunidades ímpares de conhecer pessoas, culturas e histórias incríveis e  diferentes.                                                    

Sou grata ao basquete e às várias pessoas hoje, às que me auxiliaram na jornada. Passei também passei por alguns contratempos, que me fortaleceram, mas sempre com o apoio total e irrestrito da minha mãe, Maria Apparecida da Silva, minha maior fonte de inspiração, incentivo e conselheira, mesmo após o seu falecimento.  

Qual é o posicionamento, nas redes sociais e fora delas, de um árbitro de basquete quando recebe críticas infundadas ao seu trabalho?  

FAS: devemos nos manter íntegros, evitando responder. Geralmente somos mais críticos do que aqueles que possam a vir nos criticar. Tenho as críticas como reflexão, seguindo para duas posições: com fundamento, eu analiso, estudo, reconheço o que errei, treino e realizo melhor na próxima oportunidade. Já sem fundamento, eu analiso, estudo, continuo me fortalecendo e também realizo melhor na próxima oportunidade. 

Como melhorar essa relação e essa comunicação entre quem acompanha a modalidade e os oficiais? 

FAS
: a formação e solicitações para oficiais de quadra e mesa crescem constantemente, pois as decisões sobre as regras e interpretações oficiais ficam cada vez mais específicas e detalhadas para se tomar a decisão em milésimos de segundos. Acredito que quem acompanha a modalidade deveria conhecer mais a fundo estes documentos através de leituras, participação em palestras e informações corretas da imprensa.          

Diálogo, esclarecimentos e trocas de informações são ferramentas excelentes, pois há algumas diferenças entre as regras da FIBA, NBA, WNBA e NCAA. 

2021 Playoffs: here the list of 36 officials selected

This Monday (17), the NBA Playoffs met their referees. The list of 36 names, released by the league, combines veterans and newcomers. Scott Foster, for example, has played 201 playoff games so far. The list brings debuts like Lauren Holtkamp, who has been in the NBA for seven years and will be an alternate.

In the official list of holders, however, we have two other debuts: Jacyn Goble and JB DeRosa. And as an honorary referee, Tony Brown, who has been present in 35 Playoff games in his 18-year career in the league. He is away for treatment of pancreatic cancer.

Referees are chosen through regular season indicators, and from these are the 12 names selected for the finals. The selection is made by the performance in the Playoffs.

The referees’ list for the 2021 Playoffs is, as follows:

Brent Barnaky, Curtis Blair, Tony Brothers, James Capers, Derrick Collins, Sean Corbin, Kevin Cutler, Marc Davis, JB DeRosa, Kane Fitzgerald, Tyler Ford, Brian Forte, Scott Foster, Pat Fraher, Jacyn Goble, John Goble, David Guthrie, Bill Kennedy, Courtney Kirkland, Karl Lane, Eric Lewis, Mark Lindsay, Tre Maddox, Ed Malloy, Ken Mauer, Rodney Mott, Kevin Scott, Michael Smith, Ben Taylor, Dedric Taylor, Josh Tiven, Scott Wall, Tom Washington, James Williams, Sean Wright and Zach Zarba.

Alternates will be Eric Dalen, Mitchell Ervin, Lauren Holtkamp, Gediminas Petraitis, Justin Van Duyne and Leon Wood.

Credits: NBA
Credits: NBA

Cover photo: The Bird Writes